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Diário de Solteiro

Esmaltes e um buraco vazio

Publicado por Leitora em 13 julho, 2012 às 12:10 am | 29 comentários

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Nota: A Carla é nossa leitora e enviou o texto dela pra ser publicado aqui no Diário de Solteiro. Envie o seu texto também e compartilhe suas histórias e opiniões com os milhares de leitores do nosso blog! O e-mail é contato@diariodesolteiro.com.br

Por Carla

Ando insatisfeita com esmaltes. Troco de esmalte duas vezes por semana e quero comprar uma cor nova cada vez que pinto as unhas. E nunca acho a cor certa que estou procurando. Na verdade, troco tanto porque não sei qual cor estou procurando. Ando insatisfeita com esmaltes. Ando insatisfeita com esmaltes, com hidratantes perfumados e comigo mesma. Ando comprando coisas inúteis demais. Comprando coisas demais pra preencher um vazio interno que não precisa de esmalte, de hidratante perfumado ou de nenhuma outra coisa que se possa comprar pela internet.

Dizem que a solidão é o mal do século. Eu concordo. Solidão é ter amigos, ter um namorado, ter uma família linda, ter milhares de admiradores. E não ter a si mesma. Solidão é viver numa sociedade cada vez mais superficial, cada vez mais consumista, que julga as pessoas pela aparência e pelo tanto de dinheiro que elas têm. Solidão é o que move a internet hoje – e sempre. Solidão é a única razão pela qual os Orkuts, Facebooks e Twitters da vida se popularizam cada vez mais.

Queremos amigos, queremos mensagens fofas, queremos depoimentos que dizem pro resto do mundo o quanto somos lindos, cheirosos e bem amados. Queremos mostrar fotos das viagens pra Europa, queremos mostrar fotos com trinta amigos diferentes, queremos mostrar foto do namorado novo da semana, queremos mostrar fotos da nova melhor amiga de infância que acabamos de conhecer, queremos que o mundo saiba que somos amados. Queremos admiração. Queremos falar, o tempo todo, que temos amigos, amor e dinheiro. Mostramos (ou, pelo menos, tentamos mostrar) pro mundo que somos a estampa ideal, quando, na maioria das vezes, a viagem pra Europa foi financiada em mil vezes ou foi paga pela empresa, os trinta amigos da foto só são amigos na hora da foto e não são pessoas que se importam de verdade no dia-a-dia. E os novos amores se vão a cada semana.

Queremos ter mil amigos no Orkut, mas não achamos companhia pra assistir um filme no cinema quarta-feira à noite. Queremos nos comunicar com todo mundo do Facebook e “reativar” amizade com pessoas com as quais mal falávamos “oi” dois anos atrás. Damos bom-dia no Twitter (um negócio onde se fala sozinho) e não damos bom-dia pro vizinho no elevador. Adicionamos Deus e o mundo no maldito MSN pra termos companhia e não perder o contato com aquela pessoa tão querida e amada com a qual trocaremos três frases ao longo do ano. Pessoas verdes online com as quais mantemos relações virtuais 24 horas por dia. Tudo muito superficial. Tudo muito virtual. Tudo fruto da nossa maldita carência, tão maldita quanto essas relações virtuais infundadas. Precisamos nos afirmar pro mundo e pra nós mesmos. Precisamos nos encaixar nos padrões atuais de pessoa bem-sucedida e amada pra sermos aceitos. Mas o vazio está lá. Nas tardes de domingo. Nas compras virtuais cujo encantamento acaba assim que o produto chega à nossa casa. Esperamos encontrar a felicidade no Macbook novo, no celular com mil funções que não toca, nas novas cores de esmalte que são lançadas toda semana, nos hidratantes perfumados, nos xampus caros. Compramos pra ter companhia. Compramos pra preencher um vazio interno. O mesmo vazio que tentamos preencher com amigos virtuais, relacionamentos virtuais e mentiras virtuais. Tapamos o sol com a peneira. Tapamos nossos buracos com relacionamentos que não existem.

Despistamos nossa carência aguardando um produto chegar pelo correio. Nos tornamos tão superficiais quanto nossos relacionamentos virtuais. Nos tornamos tão efêmeros quanto os esmaltes da cor da moda. E continuamos nos sentindo vazios. E trocando a cor do esmalte a cada semana.

Nota: A Carla é nossa leitora e enviou o texto dela pra ser publicado aqui no Diário de Solteiro. Envie o seu texto também e compartilhe suas histórias e opiniões com os milhares de leitores do nosso blog! O e-mail é contato@diariodesolteiro.com.br

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Comentários do Post

  1. Leandro comentou no dia 13/jul/2012 às 1:04 am

    Estou sem palavras… pust, Carla você simplismente arrebentou!!! PARABÉNS!!!! Realmente concordo com tudo que você falou, e lendo seu texto, observei que grande parte da minha vida se encaixa nesse mundo superficial…bjos

  2. Katy comentou no dia 13/jul/2012 às 1:04 am

    FATOOO !
    É exatamente assim.
    Texto perfeito.

  3. Maicon comentou no dia 13/jul/2012 às 1:08 am

    Gostei!
    Dá pra parar e pensar depois de ler o seu texto…

  4. Gustavo comentou no dia 13/jul/2012 às 1:41 am

    É o texto é bonito mas ter o “esmalte” como referencia principal é o ponto negativo desse texto. Não curti muito sinceramente, achei feminino demais, coisa de mulher carente que quer aconselhar outras mulheres que se passam pela mesma situação. mas o texto num todo é bom.
    Abraço !!!!!!!!!!!!

  5. Maya comentou no dia 13/jul/2012 às 2:31 am

    Fiquei me sentido o patinho feio, aquele que é exceção. O problema não é a internet, orkut, o msn, o facebook, o twitter. O problema são as pessoas. Todos sabem disso. Para quem sabe usar, a internet é uma maravilha. Então, antes de ficar online, resolva suas angustias existenciais e não culpem essa coisa-linda-sensacional invenção do milênio.

    Ah, texto muito bem escrito. Parabéns! Adorei a analogia dos esmaltes. Ps: agora existe até MODA DE ESMALTES. hahaha, sempre na moda…em tudo!

  6. Ana Ferreira comentou no dia 13/jul/2012 às 4:08 am

    Muito bom, me reconheci em certa parte ali.

  7. VSYon comentou no dia 13/jul/2012 às 9:09 am

    Pra mim, tudo isso é relativo.
    Qual é o problema em se pagar uma viagem em “mil” parcelas, se o interessante é a viagem em si?

    Qual é o problema em tirar fotos e postar comentários sobre os novos amigos que conseguiu?

    Quando nos sentimos felizes ou tristes a melhor coisa a se fazer nessa hora é mostrar as pessoas o que estamos sentindo nessa hora.

    Claro que precisamos nos afirmar, por que quem pode fazer isso somos nós, somente, e não os outros.

  8. Mariane Alves comentou no dia 13/jul/2012 às 10:02 am

    Arrasou… kkkk

    AMEI O TEXTO!!!!

  9. Loh comentou no dia 13/jul/2012 às 11:12 am

    Parabéns Carla, seu texto foi simplesmente perfeito!!!
    Realmente a solidão é o mal do século e as pessoas estão cada vez mais vazias e buscam a divulgação na internet com o objetivo de ser aceita. Diho isso porque tenho uma amiga que a onde ela vai ela post que está no lugar, até ai beleza. Só que descobri e sei que na metade dessas marcações elas simplesmente marca para mostrear para as pessoas que ela sai, que ela frequenta lugares bons, mas na verdade ela está em casa. Marca comprar no shoppihng, restaurantes caros e baladas…mas está em casa…pra que isso? Porque é vazia de si próprio e acredita que sendo “badalada” assim será aceita. Que ser rica “como ela gosta de mostrar” ela vai ser aceita. Já conversei N vez\es com ela, mas ela não quer ajuda neee…então nada posso fazer!!!
    Então galera vamos preencher nossos vazios com amor-próprio pois ele é o único que depois de preenchido não será esvaziado!!
    Bjuss
    avidamudaeutambem.blogspot.com.br

  10. Dayana comentou no dia 13/jul/2012 às 1:12 pm

    SEM MAIS!
    Belo texto!

  11. Edleny comentou no dia 13/jul/2012 às 1:57 pm

    Muito bom!
    Grande reflexão sobre solidão, carência e os relacionamentos cada vez mais superficiais de hoje em dia…

  12. Patty comentou no dia 13/jul/2012 às 3:18 pm

    Concordo plenamente! Sinto falta d conhecer pessoas interessantes, sei ke elas existem, mas aonde estão? Na internet todo mundo é “legalzinho”, mas e na vida real? Não é bem assim… À vezes sinto falta d compartilhar momentos bons c/ alguém, mas esse alguém ñ existe, ñ será por isso ke deixarei d viver esses momentos, vou sozinha, mesmo ke ainda sinta falta d alguém…

  13. Brunah comentou no dia 13/jul/2012 às 3:20 pm

    Li e respondi alguns textos desse Blog e na minha opinião melhor texto até porque sai pouco do clichê das outras historias sem fujir do tema do Blog, Parabéns…Você daria uma boa escritora =) Fica ai a dica Bjs!

  14. LordLorein comentou no dia 13/jul/2012 às 3:21 pm

    Cara eu acho engraçado mulheres que reclamam da supercialidade da sociedade que vai pra balada e se interessa por bombados como todas as outras. Nada contra, mas a hipocrisia aí vai longe…

  15. Gustavo comentou no dia 13/jul/2012 às 3:24 pm

    @LordLorein Concordo, não todas mas a maioria com certeza é assim.

  16. Raquel comentou no dia 13/jul/2012 às 8:25 pm

    Muito bom texto. Parabéns!
    Confesso que tive um leve preconceito com o título, achei que seria mais um blá blá blá… Mas me surpreendi.
    Realmente é isso aí, mas, como está no texto, temos que gostar de nós mesmos e da nossa companhia antes de querer um retorno verdadeiro do mundo. Este é o maior desafio.

  17. Rafael Ribeiro Rocha comentou no dia 13/jul/2012 às 10:59 pm

    Parabéns pelo texto… Eu não tenho problema com esmaltes, mas pq não preciso deles, rs.

  18. Tau comentou no dia 14/jul/2012 às 3:05 pm

    Esse texto tem outra autoria, que merece ser relatada. Brena Braz http://www.ateondevai.com/2010/01/esmaltes-e-um-buraco-vazio.html

  19. Dorinha comentou no dia 14/jul/2012 às 8:03 pm

    A solidão nada mais é do que a ausência de si mesmo. Quando o que os outros vêem se torna mais importante do que o que vc verdadeiramente sente. É o fazer para a sociedade e não para si mesmo. Triste agradar aos outros e não a si. Triste consumir para esquecer a tristeza do coração. Falando em coração como anda ele? Cheio de esperanças, paz, bondade, sonhos e coragem para consegui-los?
    Para romper com os grilhões da solidão é necessária coragem de se ver de frente e assumir a verdade de que somos responsáveis sim por nossa felicidade. Que vários processos da vida são individuais e essa realidade não muda. A presença das pessoas que amamos em nossas vidas é muito importante, porém a nossa presença torna-se indispensável.

  20. Rodrigo Almeida comentou no dia 14/jul/2012 às 9:24 pm

    #Carla

    Afffff… custava colocar a fonte??

  21. Gustavo comentou no dia 15/jul/2012 às 6:06 am

    A casa caiu @Carla rsrsrsrsrs.

  22. Maya comentou no dia 15/jul/2012 às 11:54 am

    kkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkk plágio!

  23. Maya comentou no dia 15/jul/2012 às 11:56 am

    Olhem só: http://www.ateondevai.com/ rsrsr
    r

  24. Rodrigo Almeida comentou no dia 15/jul/2012 às 12:14 pm

    #Maya

    Olha isso, rs:

    “Mas, o lado ruim, claro, veio junto, ainda que em menor proporção. Como a coisa começou a crescer muito rápido, meus textos foram se espalhando rapidamente por aí e, óbvio, não demorou muito para que meus textos virassem “do Caio F. Abreu” ou “da Tati Bernardi”, “da Clarice Lispector” ou de anônimos, Zés e Marias ninguém, que simplesmente pegam textos e assinam como se fossem deles tentando ganhar algum mérito por isso. Não sei se esses anônimos sabem, mas isso é crime e Direito Autoral é protegido por lei. Pensando nisso, todos meus textos publicados aqui foram registrados na Biblioteca Nacional, no Escritório de Direitos Autorais.”

  25. Gustavo comentou no dia 15/jul/2012 às 8:44 pm

    @Rodrigo Almeida Deixa isso pra lá e esquece isso, não vale a pena processar a @Carla por uma coisa tão pequena ao meu ver. O bom é que sabemos que seu texto é bom mas feminino demais pra mim, a maioria gostou então parabéns pelo seu texto. @Carla não precisa se sentir uma culpada por ter feito isso, contribuições são sempre bem vindas mas apenas coloque a fonte se o texto não é de sua autoria, de resto tá bom e continua a participar aqui com seus comentários e textos seus ou de um outro autor que pegou mas de a referencia certo.
    Abraço !!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!

  26. Maya comentou no dia 16/jul/2012 às 12:20 pm

    eu vi Gustavo kkkkkkk, ela deixou de escrever! Pediu pra sair hahaha

  27. Carla comentou no dia 16/jul/2012 às 7:11 pm

    Olá pessoal, desculpem a falha por não ter colocado a fonte, minha intensão não é plagear texto alheio, por esse motivo nem mudei o titulo, minha intensão foi fazer as pessoas refletirem sobre o que acontece a nossa volta e não conseguimos perceber com a correria do dia-a-dia, adoro os textos da Brena Braz, e saibam que ela também é colaboradora do Dds, e foi no blog do Dds que eu á encontrei.
    Os méritos e elogios vão para Brena uma grande escritora e publicitária.
    Assim como eu, espero que tenham curtido o texto se quiserem ler mais, entrem no blog http://www.ateondevai.com e leiam alguns textos, tenho certeza que vão gostar.
    Bjos.

  28. Fernanda Martins comentou no dia 17/jul/2012 às 9:34 pm

    Jesus é a resposta, para todas as nossas crises existenciais. Busque conforto, abrigo em suas palavras….

  29. Marcelino comentou no dia 18/jul/2012 às 12:21 am

    @Fernanda Martins eu não acho que Jesus seja a resposta, pelo contrário, esse “tópico” levanta mais questões existenciais do que qualquer outro.
    Um exemplo: Se todos somos filhos de um mesmo pai e igualmente amados, porque Jesusu é seu preferido?
    (A não ser que postar-se sentado unicamente ao lado de seu imponente pai não seja tratado como um gesto de preferência.)
    Enfim, porque apenas ouvir Jesus? E quanto à Bob Marley,
    Mahatma Gandhi, Malcom X, Buddha,
    Herbert José de Sousa (Betinho), Anne Frank?… entre outros heróis (conhecidos ou não).

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